1 de julho, 2022

48×48 ao espelho

MUNDO | Biblioteca de Alcântara | 5 e 6 de maio 2022

Difícil era cruzar. Os acontecimentos, as representações e as evidências de um tempo cronometrado com 48 anos seriam por excelência a matéria-prima do colóquio internacional organizado, em datas diferentes, em Paris e em Lisboa. Mas era dos cruzamentos de olhares, das interpretações multidisciplinares e dos vaticínios irreverentes que se alimentava principalmente a expectativa. Assim a Biblioteca de Alcântara virou Paris por continuidade já que Nanterre fora Lisboa nos passos inaugurais.

As jornadas de 5 e 6 de maio forneceram ao tema dos “48 anos de democracia após 48 anos de ditadura: temporalidades portuguesas ao espelho” um aprofundamento muito diversificado que teve expressão nas intervenções institucionais, nas conferências, nas mesas-redondas, no lançamento de livros, no visionamento de filmes e claro nos debates com o público que foram acompanhando as diversas fases do programa.

A dupla inscrição espacial e cultural dos imigrantes portugueses em França foi especialmente dissecada e ilustrada pelos intervenientes da sessão da tarde de dia 5, Manuel Antunes da Cunha da Universidade Católica Portuguesa – Braga/CEFH foi um dos oradores que tratou o assunto pelo lado doa media.

Manuel Antunes da Cunha e Isabelle Vieira

Isabelle Vieira da Universidade de Paris-Nanterre deu a conhecer várias publicações, que no seu entender são demasiado escassas, que relatam experiências de portuguesas que imigraram e que muitos anos depois da sua plena integração na sociedade francesa decidiram publicar as suas histórias que incluem situações paradigmáticas de percursos atribulados muitas vezes marcados por discriminações e por auto-marginalizações no plano social e cultural.

Graça dos Santos e Olivier Afonso

Graça dos Santos fez dupla com Olivier Afonso, autor da BD Les Portugais, associando teatro e outros meios de comunicação para tratar os processos de memória e de rememoração. Ollivier Afonso fez questão de salientar que partiu da história do seu pai para desenvolver a Banda Desenhada mas que a tratou com um olhar, com um ponto de vista e com uma imaginação de criança.

O campo dos preconceitos foi especialmente abordado e foi curiosa a forma como Olivier ilustrou as representações que os franceses constroem sobre os portugueses nomeadamente quando pensam que “os homens portugueses são pedreiros e as mulheres empregadas de limpeza, por tradição”.

Debate

No final da jornada de dia 5 de maio o jornalista José Pedro Castanheira apresentou com o autor Vicenzo Russo o livro O colonialismo português, as lutas de libertação e os intelectuais italianos.

José Pedro Castanheira e Vicenzo Russo

Organização: CRILUS – Université de Paris – Nanterre, Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, através do projeto .MAPS Pós-Memórias Europeias: uma cartografia pós-colonial, Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT – PTDC/LLTOUT/7036/2020). e Saison Croisée – Temporada Cruzada Portugal França

Mais informações: https://ces.uc.pt/pt/agenda-noticias/agenda-de-eventos/2022/48-x-48-um-passado-europeu-contemporaneo

Fotos © Carlos Ribeiro | CaixaMedia

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.